GOVERNADOR E SENADOR
Nasceu em Serra Negra do Norte–RN, a 23.08.1903, filho de
Manuel Mariz Filho e d. Maria Cândida de Medeiros Mariz. Era neto de José
Bernardo de Medeiros (vice-Presidente da Província duas vezes, constituinte em
1891 e Senador de 1890 a 1907). Cursou o primário em sua cidade. Era
comerciante de algodão em Caicó (1929) quando ingressou na Aliança Liberal,
coligação oposicionista ao então Presidente Washington Luís (1926-1930) e de
apoio às candidaturas de Getúlio Vargas à presidência e João Pessoa à
vice-presidência, no ano seguinte. A derrota destes, agravada pelo assassinato
de João Pessoa (Recife, 1930), fez eclodir o movimento revolucionário que
levaria Getúlio ao Poder. Dinarte, que participou ativamente da revolução no
Rio Grande do Norte, foi indicado para assumir a Prefeitura Municipal de Caicó
(1931-1932), prosseguindo não obstante com o seu comércio e tornando-se, em
poucos anos, um dos mais sólidos empresários do ramo na região. Envolvendo-se
com a Revolução Constitucionalista de 1932, foi preso na Casa de Detenção (Rio
de Janeiro). Retornando ao Estado, participou da fundação do jornal “A Razão”
(1933), que teve como diretor Eloy de Souza e redator Gentil Ferreira, e
organizou, com a colaboração de José Augusto Bezerra de Medeiros, o Partido
Popular – PP, de oposição a Vargas1 . Na Intentona Comunista (1935), “Dinarte
Mariz (...), à frente de uma coluna de sertanejos, escassamente armada, desceu
de Caicó com destino a Natal, arrebanhando novos elementos até se encontrar com
os rebeldes em Serra Caiada, sendo estes batidos e destroçados” (Glauco
Carneiro, História das Revoluções Brasileiras, 2o Vol., p. 419). No dia
seguinte, conforme a mesma fonte, a coluna ocupou a povoação de Panelas e fez
novos prisioneiros. Foi contrário, porém, ao Estado Novo (1937), que consolidou
Getúlio como ditador. Foi um dos fundadores da UDN – União Democrática Nacional
no Rio Grande do Norte (1945), naquele ano candidatando-se ao Senado mas sendo
derrotado, o mesmo ocorrendo no pleito subseqüente (1950). Eleger-se-ia Senador
(1954), no entanto, logo em seguida Governador do Estado (1955), com o apoio do
então Presidente Café Filho. Sua obra mais expressiva certamente foi a criação
da Universidade do Rio Grande do Norte (1958), federalizada dois anos depois.
Em 1960, Dinarte não conseguiu eleger seu sucessor Djalma Aranha Marinho,
vencido pela expressiva votação de Aluizio Alves (quase 23 mil votos de
diferença). Novamente Senador (1962), foi escolhido primeiro-secretário do
Senado, ocupando este cargo até 1969. Tentara retornar ao governo do Estado
concorrendo com o Mons. Walfredo Gurgel (1965), mas não obteve sucesso.
Instaurado o bipartidarismo2 , filiou-se à ARENA – Aliança Renovadora Nacional,
agremiação da qual viria a ser vice-líder, simultaneamente vice-líder do
governo no Senado (1970-1974), período em que foi escolhido titular das
comissões de Finanças e de Assuntos Regionais e suplente das comissões de
Valorização da Amazônia e do Polígono das Secas. Seria reconduzido à posição de
primeiro-secretário da mesa do Senado Federal (1975) e, em 1978, teve renovado
o seu mandato de Senador. Era um homem de posições firmes, franco em suas
palavras, mas capaz de largos gestos de magnanimidade, segundo registra João
Batista Machado: apesar de ter financiado o movimento de março de 64, tirou
muitos adversários da cadeia e arranjou-lhes emprego, em Brasília ou no Rio.
Ninguém no Rio Grande do Norte conheceu um gesto mesquinho de Dinarte (Política
no Atacado e a Varejo: A Memória da República no Rio Grande do Norte, p. 70).
Em seus últimos momentos, enfermo, recebeu Aluizio Alves, velho companheiro dos
tempos da UDN, com quem havia rompido: Quero morrer em paz com Deus e com os
homens – dissera, então (op. cit., p. 71). Faleceu, em Brasília, a 29 de julho
de 1984. Seu corpo foi transladado para Caicó, onde foi sepultado. 1 – Segundo
Manoel Rodrigues de Melo, o jornal “A Razão” era órgão oficial do Partido
Popular, Dicionário da Imprensa no Rio grande do Norte, p. 203. 2 – O Ato
Inconstitucional n.º 2, de 27.10.1965, extinguiu os partidos políticos.
Posteriormente é instaurado o bipartidarismo, surgindo a ARENA, mencionada no
texto, e o MDB – Movimento Democrático Brasileiro.
FONTE: AZEVEDO, Aluísio. Cronologia do Rio Grande do Norte:
Cinco Séculos de História. Natal: Gráfica Santa Maria, 1996. CARNEIRO, Glauco.
História das Revoluções Brasileiras, 2o Vol. Rio de Janeiro: Editora O
Cruzeiro, 1965. MACHADO, João Batista. Política no Atacado e a Varejo:
A Memória da República no Rio Grande do Norte . MELO, Manoel
Rodrigues de. Dicionário da Imprensa no Rio Grande do Norte (1909-1987). São
Paulo: Fundação José Augusto/Cortez Editora, 1987.
FONTE – FUNDAÇÃO JOAÉ AUGUSTO